100 Lendas do Folclore brasileiro


PARTE II CONTOS TRADICIONAIS



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PARTE II
CONTOS TRADICIONAIS


A RAPOSA CARENTE
Um a raposa m orta que, em  vida, tivera um a paixão por ser obsequiada
resolveu forçar o favor de um  hom em  bom , indo postar-se no m eio da estrada.
– Oh, um a raposa m orta! – disse o hom em  bom , penalizado, ao ver a pobre
bichana de olhos vidrados e língua de fora. – Pobrezinha, vou enterrá-la!
A raposa estava m orta, m as ainda assim  sentiu um a onda de prazer ao ver-
se alvo daquele favor.
O hom em  bom  enterrou a raposa e seguiu adiante. Mas a raposa carente
gostou tanto do negócio – houve até um a bênção sobre o seu túm ulo, im agina! –
que se desenterrou às pressas e foi correndo postar-se outra vez no cam inho do
hom em  bom .
– Santo Deus, outra raposa m orta! – disse ele ao ver a bichana
estrebuchada sob um a nuvem  de m oscas.
Após expulsar o m osquedo, o hom em  bom  pegou o cadáver da raposa,
cobriu-o de folhas e depois partiu. Assim  que ele partiu, o focinho da raposa
m orta surgiu da folharada. Ela parecia um  pouquinho frustrada, desta vez, pois
aquela sepultura de folhas não fora com o o glorioso sepultam ento sob a terra.
Mas, ainda assim , fora um  alto favor, consolou-se a raposa carente, contentando-
se com  m enos.
– De favores não hei de m e cansar j am ais! – disse ela, enquanto o hom em
bom  se afastava.
Após livrar-se das folhas, ela correu por um  atalho dentro da m ata e foi
esparram ar-se novam ente, bem  m ais adiante, no cam inho do hom em  bom .
– Será possível? – disse ele, j á contrariado. – Alguém  anda exterm inando
raposas por aqui!
Desta vez, havia um a nota de irritação na voz do hom em  bom  quando ele
arredou a defunta com  o pé até a som bra descoberta de um a árvore antes de
partir.
Assim  que o hom em  bom  desapareceu, a raposa carente abriu um  olho e
disse:
– As coisas j á foram  bem  m elhores, é preciso adm itir. Mas, enfim , foi
sem pre um  favor!
Oh, com o ela am bicionava ser am ada! Cega por esse desej o, a raposa
carente foi correndo encontrar outro atalho para saborear nem  que fosse a últim a
m igalha do afeto alheio.
Desta vez, porém , ao avistar a raposa m orta, o hom em  bom  j á estava farto
e deu um  chute no corpo da raposa.
– Dane-se você! – exclam ou ele, irritado.
A raposa carente rodopiou e foi cair dentro da m ata, enquanto o hom em
bom , a passos firm es e raivosos, foi ser m au em  outra parte.
Esfolada, a raposa descobriu, então, que forçar o afeto é forçar o enfado.



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