100 Lendas do Folclore brasileiro



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O JACARÉ E O MUTUM
Os kanassas, com o todas as tribos, possuem  várias lendas etiológicas, ou
sej a, que explicam  a razão de ser das coisas. Neste conto, ficarem os sabendo
com o o j acaré ganhou a sua cauda, e o m utum , um a pequena ave das m atas, o
seu topete.
Prim eiro, o j acaré.
Diz-se que um  dia um  paj é kanassa chegou à terra do j acaré e encontrou-o
ralando m andioca. Fora das lendas, um  j acaré ralando m andioca seria coisa
m uito curiosa de se ver, m as o paj é achou tudo m uito natural e foi logo
perguntando:
– Me diga, j acaré: onde é que você guarda o ralador depois de usá-lo?
O j acaré lançou um  olhar frio ao paj é.
– Eu o guardo nas costas.
– Deixe eu ver com o fica – disse o índio.
O j acaré olhou para o índio, quase incrédulo, m as resolveu, afinal, fazer o
que o outro pedia, só para se livrar do im portuno.
– Não, não fica nada bem  – disse o paj é, após observá-lo de todos os
ângulos.
O j acaré retirou o ralador das costas, aborrecido, e voltou a ralar
m andioca.
– Experim ente colocar em  cim a do rabo – falou o paj é.
Perdendo finalm ente a calm a, o j acaré exclam ou:
– Você está de gozação com igo?
– Ponha em  cim a do rabo, vam os ver – insistiu o outro.
– Só se prom eter que, depois disso, irá em bora.
O paj é prom eteu que iria, e só então o j acaré pegou o ralador e colocou-o
em  cim a do rabo, um  rabo lisinho com o a cauda das lagartixas.
– Ótim o, ótim o! – disse o paj é, subitam ente entusiasm ado. – Ficou perfeito!
Então, antes que o j acaré pudesse fazer algo, o paj é lançou um  feitiço
sobre ele.
Desde então, o j acaré ficou com  o rabo áspero e cheio de fraturas, com o
um  ralador de m andioca.
* * *
Agora, a lenda do m utum .
O m esm o paj é andou m ais um  pouco pela m ata até encontrar o m utum .
Este ser tam bém  estava todo atarefado, preparando um  pequeno enfeite de
penas.
O paj é achou que interrom per o trabalho do outro era um a boa m aneira de
dem onstrar a sua sim patia e a sua cordialidade, e perguntou ao m utum :
– O que está fazendo aí?
– Um  enfeite de penas para afastar índios chatos – disse o m utum .
O paj é, im perturbável, sentou-se e esperou o m utum  term inar a sua obra.
– Vam os ver que tal vai ficar.


O m utum  olhou para o paj é com  im paciência.
– Vai pôr na cabeça? – disse o paj é.
– Sim  – disse ele.
– Então ponha, o que está esperando?
De repente, o m utum  tem eu estar diante de um  louco e resolveu fazer o
que o índio dizia. Depois de colocar o enorm e penacho no alto da cabeça, ficou
parado, com  cara de bobo.
– Parece bom  – disse o paj é.
Acalm ado por esse pequeno afago na vaidade, o m utum  com eçou a voar
de lá para cá.
– Mais rápido!
O m utum  voou em  todos os sentidos, até de ponta-cabeça. Nesse ponto, o
topete se desprendeu e caiu m iseravelm ente.
– Aí está! – disse o índio, dando um a palm ada na coxa. – Ponha de novo!
O m utum  recolocou o penacho, e o paj é aproveitou para lançar sobre ele
um  feitiço. No m esm o instante, o penacho enraizou-se no cocuruto da avezinha e
dali nunca m ais saiu.



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