100 Lendas do Folclore brasileiro


O SURG IMENTO DA PLANTAÇÃO



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O SURG IMENTO DA PLANTAÇÃO
Esta lenda tam bém  é protagonizada por um a criatura celeste que salvou
um a aldeia de m orrer de fom e.
Nos tem pos antigos, segundo os kaiapós, a vida na terra era m uito difícil. As
pessoas não tinham  o que com er, senão lagartas, raízes, orelhas-de-pau e coisas
deste tipo. Frutos não existiam , nem  ninguém  sabia plantar. Quanto à caça, era
im praticável, pois os hom ens não sabiam  em punhar nem  um a vara de m arm elo.
Certo dia, um  índio que andava pela m ata de barriga vazia foi surpreendido
por um a chuvarada daquelas. O pé d’água durou pouco, m as bastou para
encharcar tudo. O índio, agachando-se, com eçou a beber das poças para encher,
pelo m enos com  água, a barriga, quando escutou alguém  cham á-lo do alto.
– Psiu! – dizia um a voz m aviosa.
Ele olhou para o alto e viu um a índia lindíssim a sentada no galho de um a
árvore. Ela estava nua e parecia esconder algo entre as pernas.
A fom e do índio era tanta que ele não pensou noutra coisa senão em
com ida.
– Por favor, m oça, m e dê essa fruta que está escondendo aí!
A índia não dem orou a entender o equívoco e com eçou a rir.
O índio estranhou as form as roliças da j ovem , pois na aldeia todas as índias
estavam  m uito m agras.
– Quem  é você? – disse ele. – Nunca a vi por aqui.
– Desci do céu, j unto com  a chuva – disse ela, torcendo os cabelos
reluzentes.
– Por quê?
– Me cansei de viver lá. Meus pais não tem  paciência com igo nem  eu com
eles.
Tom ado por um a paixão instantânea, o índio decidiu casar-se com  ela.
– Venha com igo para a aldeia – disse ele.
Então, eles esperaram  a noite cair e ele levou-a, às escondidas, para a sua
casa.
– Só apareça quando eu m andar – disse ele, escondendo-a dentro de um a
enorm e cabaça.
O índio m orava com  a m ãe, um a velha com  cara de espectro. Seu
tem peram ento, contudo, era am ável, e quando ela descobriu, certo dia, a j ovem
dentro da cabaça, não pensou um  instante em  fazer m al a ela, e disse:
– Que j ovem  linda! De onde veio?
Então, a índia contou quem  era e foi logo cham ada por toda a aldeia de
Filha do Céu. Ela casou-se com  o índio, e am bos ficaram  vivendo na casa da
velha índia.
Entretanto, apesar do bom  tratam ento, logo a j ovem  com eçou a sentir os
efeitos da penúria, em agrecendo a olhos vistos.
– Isto não pode continuar assim . Vou voltar para o céu e trazer de lá
algum as sem entes.
– Mas com o poderá fazer isso?


– Ora, eu dou um  j eito! – disse ela, segura de si. – Venha com igo!
O casal atravessou a m ata até encontrar um a árvore de galhos resistentes e
flexíveis.
– Ótim o, esta é perfeita! – disse ela, com eçando a escalar o tronco.
O índio ficou observando-a sonhadoram ente, a relem brar o seu prim eiro
encontro.
– O que está esperando? Suba com igo! – ralhou ela, do alto.
Os dois encarapitaram -se no galho m ais alto, que com eçou a vergar até
atingir o chão.
– Agora, desça – disse ela, com  a m esm a segurança de sem pre.
– Mas você pode se m achucar! – gem eu ele.
– Ah, que bobagem ! – disse ela, botando-o pra fora do galho com  um
em purrão.
Assim  que o índio caiu, o galho catapultou a j ovem  para o alto, num a
velocidade espantosa.
– Me aguarde, eu voltarei! – disse ela, m isturada j á com  as nuvens.
O tem po passou até que, no prim eiro tem poral, o índio com eçou a correr
pra todo lado, esperando a descida da am ada. Dali a instantes, enxergou-a
pendurada num  galho.
– Me aj ude, isto está pesado! – disse a índia.
Ela atirou do alto um  saco enorm e cheio de sem entes que quase esm agou o
m arido e depois desceu, num  pulo, com  a suavidade que lhe era peculiar.
– O que está fazendo?
O m arido estava com endo as sem entes com  as duas m ãos.
– Isto não é para com er, m as para plantar!
Então ela ensinou o kaiapó a fazer um a roça, e depois a sem eá-la.
– Você não vai acreditar no que vai surgir daqui! – disse ela, vaidosa.
Não dem orou m uito e com eçou a surgir um a plantação enorm e de m ilho.
– Puxa, que lindo! – exclam ou ele. – Mas e destas outras, por que nada
nasceu?
– Você que pensa! – disse ela, arrancando de debaixo do solo tubérculos
enorm es de batata, inham e e m andioca. – Mais tarde nascerão as árvores
frutíferas, e m uitas delícias m ais!
Os dois se abraçaram , felizes, e desde então a fom e deixou de afligir os
kaiapós.



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