100 Lendas do Folclore brasileiro



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A PRIMEIRA COBRA
Nesta lenda, conta-se a origem  de um a autêntica cobra indígena, da
m esm a estirpe da Cobra-Grande, ser bruto e irracional que só pensava em
com er e devastar.
Eis com o, segundo os índios kaiapós, a cobra veio ao m undo.
A história com eçou quando um  casal de índios, farto de viver na aldeia,
resolveu em igrar para outras terras. Depois de m uito andarem , acharam  um
lugar ideal e ali se estabeleceram .
Certa tarde, o índio foi banhar-se num  igarapé, que é um  pequeno rio.
Acontece que riozinho era encantado, e ele logo se viu transform ado na prim eira
cobra do m undo.
Ao retornar para casa, o hom em -cobra deu um  susto na m ulher, que nunca
tinha visto nada parecido na vida.
– Socorro! Acuda, m eu m arido! – berrava ela, histérica.
– Sossega, sou eu! – sibilou a cobra.
A m ulher custou a aceitar o fato de que teria de viver para sem pre ao lado
daquele ser horroroso que m atava e com ia os anim ais da m ata.
O tem po passou, e os índios da antiga aldeia m andaram  um  m ensageiro
saber o que fora feito do casal. O índio chegou e encontrou só a m ulher.
– Com o estão as coisas? – disse ele.
A m ulher procurou sorrir e disse que ia tudo bem .
Mas o m ensageiro, sentindo que ela escondia algo, insistiu:
– Onde está o seu m arido?
– O pobre m orreu! – disse a índia.
– Vam os, fale a verdade! – disse o m ensageiro.
Então ela confessou, de um a vez, que o m arido virara um a cobra. Desta
vez, a pobrezinha chorava de verdade.
– Pois quero ver se é verdade! – disse o m ensageiro, acom odando-se na
rede.
Dali a pouco, escutou-se o ruído de algo que se arrasta. Era a cobra de
volta das suas m atanças. A criatura havia aum entado dez vezes de tam anho
desde o seu surgim ento.
O índio ficou tão apavorado que fugiu de volta para a aldeia.
Dali a alguns dias, apareceu outro índio.
– Quero ver com o é a cobra – disse ele à esposa do ofídio.
E foi esconder-se num  j irau, dentro da casa. Assim  que a cobra entrou,
espichou a língua fendida e captou o odor da presença hum ana.
– Estou sentindo cheiro de gente! – sibilou a cobra.
A cobra, m esm o tendo recém  com ido um  boi inteiro, pediu à m ulher que
lhe trouxesse m ais com ida. Ela trouxe, e a cobra com eu até em panzinar-se.
Depois, pôs-se a cantarolar um  canto m eio hipnótico que obrigou o índio


escondido a acom panhá-lo.
– Eu sabia que tinha m ais alguém  aqui dentro! – exclam ou a cobra, furiosa.
O índio, aterrado, surgiu com  as duas m ãos espalm adas.
– Calm a, am igo, sou da aldeia e vim  apenas para ver com o estão.
Mas a cobra não estava para falas m ansas e abocanhou o índio inteiro.
O tem po passou, e os índios m andaram  um  grupo de guerreiros para
exterm inar a cobra. Pé ante pé, eles adentraram  a casa da índia e, quando a
cobra dorm ia a sono solto, caíram  de rij o em  cim a dela com  lanças e tacapes,
m atando-a.
A índia chorou e lam entou, m as o crim e j á estava feito. Ela foi levada de
volta para a aldeia, aos prantos, m as o que eles não sabiam  é que ela estava
grávida de um a ninhada de cobrinhas, que deu à luz assim  que chegou à aldeia.
Quando os índios descobriram , m uniram -se de cacetes para abater os filhotes,
m as a índia espantou-os todos para a m ata.
– Vão, escondam -se na m ata!
Desde então, as cobras andam  à solta por aí.



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