100 Lendas do Folclore brasileiro



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O SAPO E A ONÇA
Esta lenda vem  da tribo Kay apó e é um  exem plar prim itivo da espécie “a
união faz a força”.
Tudo com eçou quando, certo dia, a onça encontrou o sapo num  charco,
tam bém  cham ado no Brasil de igapó. A onça estava furiosa desde que lhe
haviam  roubado o fogo e não queria conversa com  ninguém , m uito m enos com
um  reles sapo.
– Bom  dia, dona onça – disse o sapo.
A onça estava com  m uita raiva, disposta a abocanhar qualquer um  que se
atravessasse no seu cam inho, e só não engoliu o sapo por achá-lo m uito
asqueroso.
– Com o ousa dirigir a palavra a m im , ser repugnante e desprezível? –
rosnou ela.
– Meu am igo, tudo é questão de opinião – respondeu o sapo,
fleum aticam ente. – As sapinhas não m e acham  nada repugnante, e não conheço
ninguém  que m e despreze.
– Pois eu o desprezo!
– Por favor, não banque a tola. Se m e desprezasse, não estaria aí m e
ofendendo.
Diante disso, a onça ficou ainda m ais furiosa.
– Desprezível, sim ! Quem  olha para você com  respeito? Ninguém !
– Todos m e respeitam . Meu grito, por exem plo, é o que infunde m ais terror
em  toda a floresta.
Pela prim eira vez desde que lhe haviam  surrupiado o fogo, a onça
arreganhou os dentes sem  ser de raiva e despej ou um a gargalhada.
– Ria e o m undo rirá contigo – disse o sapo, superiorm ente.
– Quer dizer que o seu rugido é o m ais apavorante da floresta? – disse a
onça, após recuperar o fôlego. – Pois esta eu pago para ver!
Então a onça trepou num a pedra e lançou aos ares o seu urro m ais tétrico e
desafiador.
Instantaneam ente, um a algazarra de coisas fugindo por terra, céu e água
agitou a floresta. Foi tam anha a balbúrdia que, durante cerca de cinco m inutos, só
se escutou o eco horrendo da fera e das criaturas se atropelando na fuga.
Som ente quando o últim o eco do seu grito se desfez no ar a onça desceu
lentam ente do seu pedestal de glória. Sua cabeça estava erguida, e um  brilho
insuportável de soberba fazia com  que suas pupilas am arelas cuspissem  faíscas
de regozij o.
Então foi a vez de o sapo dem onstrar o poder da sua voz. Depois que a onça
abandonara o seu posto, o sapo galgou num  pulo a pedra, encarapitando-se no
topo.
– Muito bem , agora o urro do sapo! – anunciou ele, com o um  m estre
balofo de cerim ônias.
O ruído do riso da onça obrigou o sapo a aguardar alguns instantes.
Som ente quando tudo fez silêncio outra vez foi que o sapo encheu bem  o papo até
torná-lo translúcido e arrem essou, finalm ente, o seu coaxar rouco de sapo.


Então, aconteceu um a espécie de reverberação total, com o se alguém
houvesse espalhado pela selva inteira m ilhares de caixas de som  am plificadas ao
m áxim o. As árvores trem eram  desde as raízes até as folhas, enquanto o solo
chacoalhava.
Incapaz de suportar a zoeira terrificante, a onça levou as duas patas às
orelhas, tentando suportar dignam ente aquele coaxar colossal. Mas, quando viu
que não podia m ais suportar, atirou tudo para cim a e tratou de dar no pé.
– Ei, espere! – gritou o sapo do alto da pedra. – Quer apostar com o sou
tam bém  m ais veloz?
Mas a onça j á não escutava m ais nada, desaparecida que estava nas
brenhas da m ata.
Só então o sapo lançou um  segundo coaxar, que foi a ordem  expressa para
cessarem  todos os outros, j á que, na verdade, não só ele havia gritado, m as todos
os sapos e assem elhados da floresta, tais com o as j ias, as rãs, as pererecas, os
cururus e o restante da valorosa dinastia dos seres coaxantes.
Diz a lenda que, durante a fuga, a onça acabou perdendo um  olho num
graveto – um  detalhe m órbido que não tem  a m enor im portância para o desfecho
deste conto, m as que tem  para o com eço do seguinte, no qual verem os elucidar-
se um  surpreendente enigm a da nossa fauna.



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