100 Lendas do Folclore brasileiro


KOIERÉ, O MACHADO CANTANTE



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KOIERÉ, O MACHADO CANTANTE
Os índios krahós, do rio Tocantins, possuíam  outrora um  m achado m ágico
cham ado koieré. Sua lâm ina era feita de pedra, em  form ato de âncora, e ele era
usado tanto na guerra quanto nas cerim ônias religiosas da tribo.
Os krahós viviam  em  guerra com  seus vizinhos. O seu m aior desafeto eram
os krolkam etrás, um a tribo rival.
Certa feita, as duas tribos estavam  se enfrentando, quando um a flechada
certeira abateu o portador do m achado cantante. O valente guerreiro krahó caiu
para um  lado, e o m achado, para o outro.
Com o um  raio, o m atador correu e apoderou-se da arm a.
– Agora o koieré pertence aos krolkam etrás! – urrou ele, brandindo no ar o
m achado.
Finda a m atança, todos voltaram  satisfeitos para as suas casas, cada lado
levando os inim igos m ortos para serem  assados nas grelhas.
Mas quem  ia feliz m esm o era o novo portador do koieré, que era casado
com  um a bela índia. Antes m esm o de chegar em  casa, decidiu que, agora que se
tornara um  personagem  im portante da aldeia, deveria arrum ar coisa ainda
m elhor do que a sua bela índia.
Não dem orou m uito, apareceu um a candidata, e o índio se m udou para a
oca dela. Na pressa, porém , acabou esquecendo o m achado dependurado em
cim a da sua rede.
Durante a noite, a índia abandonada escutou por entre os intervalos dos seus
soluços o m achado falar-lhe:
– Mam ãe, vam os passear!
Índias são m uito m aternais. Por algum  m otivo, o m achado passara a
cham á-la de m am ãe, e bastara isso para ela ficar enternecida com  o obj eto.
Tom ando-o nos braços, ela saiu porta afora para passear.
Durante a noite inteira a índia enj eitada em brenhou-se pelas m atas,
enquanto o m achado lhe ensinava todas as canções de am or e de guerra dos
krahós.
Logo, toda a aldeia ficou sabendo do caso, e a notícia se espalhou,
chegando à aldeia dos krahós. Então, o irm ão do prim itivo dono do m achado
decidiu recuperá-lo.
A esta altura, o novo dono j á havia retom ado o obj eto e foi com  raiva que
recebeu a visita do em issário.
– De form a algum a o restituirei! – bradou ele.
Mas o cacique da tribo disse que havia regras que o obrigavam  a restituir o
obj eto aos inim igos.
– Anhangá e m aldição! – rosnou o novo dono. – Pois saibam  que só o
restituirei àquele que m e vencer na corrida de toras!
Corrida de toras era um a com petição que os índios disputavam  tendo
atravessada às costas um a tora de m adeira de cerca de um  m etro de
com prim ento.
– Quem  m e vencer poderá não só levar de volta o m achado com o m e
m atar e com er a carne do m eu corpo! – disse o desafiante, seguríssim o.


O em issário retornou aos krahós e repetiu ao pretendente o desafio.
– Corrida de toras nenhum a! – disse este. – Vam os reaver o koieré à força!
Então os krahós arm aram -se de flechas e porretes e rum aram  para a
aldeia dos krolkam etrás, prontos para m ais um a bela dança das flechas. Quando
chegaram  à divisa da aldeia inim iga, foram  lançados ao ar os brados de guerra
das duas tribos valorosas, e as flechas assoviaram  de novo, para valer. Mas quem
m ais trabalhou foi, com o sem pre, o m achado m ágico, que não parou de cantar
um  segundo enquanto levava adiante a sua obra guerreira de ceifar vidas, desta
vez as dos krahós, seus antigos donos.
A certa altura, porém , o novo dono do m achado viu-se cercado por
algum as dezenas de adversários e não teve alternativa senão correr com
m achado e tudo. Não sabem os que espécie de canção o m achado entoou na
fuga, m as o fato é que, ao enfiar o pé num  buraco de tatu, o krolkam etrá foi ao
chão e perdeu, além  do m achado, a própria vida, estraçalhado pelas lanças
adversárias.
E foi assim  que o koieré voltou à tribo dos índios krahós.



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