100 Lendas do Folclore brasileiro



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O FURTO DO FOG O
Segundo os índios tem bés, nos tem pos m íticos o fogo tinha um  único dono:
o urubu-rei. Com o o urubu era m uito avaro da sua preciosidade, os índios não
podiam  fazer uso de cham a algum a, e quando queriam  com er carne só lhes
restava o expediente de expô-la longam ente ao sol.
Isso foi até o dia em  que um  índio m ais destem ido resolveu dar um  fim
àquilo.
– Vam os atrair o urubu-rei e a sua tropa inteira – disse ele, m atando um a
anta enorm e.
Depois de sangrarem  bem  o bicho, eles deixaram  o cadáver exposto ao sol,
para atrair os urubus.
Não dem orou m uito e o urubu-rei, atraído pelo fedor da carniça, desceu
sobre a anta.
– Viva, tem os hoj e banquete farto! Vam os lá, com panheiros, há carniça
para todos! – disse ele, dando um  grasnido.
Logo o céu anoiteceu com  a chegada de um a verdadeira nuvem  de urubus.
A bicharada caiu sobre a anta, m as alguém  teve a ideia de acender um  fogo e
preparar a carne na grelha, ou no m oquém , com o se diz entre os índios.
– Carne m oqueada tam bém  tem  lá suas delícias! – disse o urubu-rei,
retirando de debaixo da asa negra um  tição m uito bem  escondido para acender a
grelha.
Os urubus, naquele tem po, tinham  o dom  de se transform ar em  gente e,
assim , antes de se lançarem  à com ilança, despiram  as asas e ficaram  com  a
aparência de hom ens (daí, talvez, o gosto que tinham  em  assar a carne, ao invés
de com erem -na crua, com o hoj e norm alm ente fazem ).
– Ufa! Que calorão! – disse o urubu-rei, despindo o m anto de penas.
Nus feito gente, os urubus atiraram -se finalm ente à carne, e j usto neste
instante, irrom pendo de dentro da m ata, surgiram  os índios, de olho aceso no fogo
que ardia na grelha.
– Depressa! Apanhem  um  tição! – gritou o velho paj é, organizador do
assalto.
Um  grito de alerta do urubu que vigiava avisou, entretanto, os dem ais, e
logo todos vestiram  seus m antos negros de penas e levantaram  voo
estabanadam ente. Antes de partir, o urubu-rei tom ou a últim a fagulha que ardia
na grelha e, depois de ocultá-la debaixo da asa, j untou-se às dem ais aves no céu.
O paj é correu alucinadam ente até a grelha, rem exeu no borralho e
encontrou um  últim o caquinho de carvão, com  um a listrinha laranj a correndo
pra lá e pra cá.
– Aqui! Aqui! – gritou ele aos dem ais. – Vam os, assoprem , não deixem
apagar!
Quinze bocas cercaram  o carvãozinho e com eçaram  a assoprá-lo
agoniadam ente, m as o fizeram  com  tanta força que a listrinha laranj a acabou
por se finar, e o carvão nunca m ais se acendeu.
– Idiotas! – exclam ou o paj é, irado.
Quando se acalm ou um  pouco, porém , viu que a anta ainda estava quase


inteira.
– Eles voltarão logo – disse ele, anim ando-se outra vez. – Desta vez, vou
ficar bem  próxim o da grelha, e vocês desapareçam  e só surj am  quando eu
ordenar o ataque!
Os tem bés fizeram  com o o paj é ordenara, enquanto ele tratava de cavar
um  buraco bem  ao lado da carniça a fim  de se enfiar ali dentro. O m au cheiro da
anta decom posta era insuportável, m as quem  disse que furtar fogo era coisa fácil
e prazenteira?
Dali a pouco, os urubus voltaram , loucos de fom e. Após despirem  seus
casacos pretos, que fediam  m ais do que a carniça, reacenderam  o fogo e
recom eçaram  a banquetear-se.
Enquanto com iam , o paj é aproveitou para irrom per da sua toca, ágil com o
um a m arm ota, e m eteu a m ão dentro da grelha para apanhar um  tição.
Assustados, os urubus apanharam  suas vestes e levantaram  voo outra vez.
O urubu-rei ainda tentou resgatar o tição, ou pelo m enos extingui-lo na m ão do
paj é, fazendo um a ventania danada com  as asas, m as o velho índio cerrara os
dedos com  tanta força que nem  um  furacão teria com o apagá-lo.
No fim  de tudo, os urubus sum iram  nos céus, e o paj é viu-se dono do tição,
que ainda ardia em  sua m ão. Que Anhangá o carregasse se aquilo não ardia
com o cem  m il espetadas!
Com o um  Prom eteu enlouquecido, o paj é tratou de atear fogo em  todas as
árvores de lenho incandescente que encontrava, a fim  de preservar a cham a, e
teria colocado fogo na m ata inteira se os dem ais índios não tivessem  corrido para
apagar aquelas labaredas todas.



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