1 Encontro Nacional de Pesquisa em Comunicação e Imagem encoi



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Encontro Nacional de Pesquisa em Comunicação e Imagem - ENCOI 

24 e 25 de novembro de 2014 • Londrina, PR 

 

do  real.  Fotógrafos  ainda  defendem  suas  obras  como  registros  da  realidade,  sem 



mediação.  E,  assim,  qualquer  manifestação  artística  que  não  procura  reproduzir  os 

traços  dos  elementos  é  considerada  pela  maioria  dos  observadores  como  deturpação 

(AUMONT, 1990). É evidente que a objetividade da fotografia faz dela mais crível que 

a  pintura,  mas  esse  valor  é  herança,  ao  longo  da  história  da  arte,  do  desejo  da  ilusão 

representativa ideal. A necessidade de analogia faz da imagem fotográfica um perfeito 

instrumento para captar elementos da realidade visível de acordo com uma perspectiva 

ingênua  de  que  essa  captura  fosse  possível,  o  puro  iconismo.  Entretanto,  o  realismo 

deveria  ser  entendido  não  como  analogia  absoluta,  mas  consoante  com  o  potencial 

simbólico da imagem. Uma figura é realista quando oferece informações pertinentes de 

acordo  com  o  "sistema  padrão"  adotado  em  determinado  período.  Uma  representação 

realista, a grosso modo, é uma questão de convenção. 

A  produção  de  imagens  buscou,  durante  muito  tempo,  por  meio  de 

avanços tecnológicos do daguerreótipo até as câmeras de celulares, uma conexão ideal 

entre  signo  e  designado.  Desde  a  antiguidade,  teoricamente,  a  linha  que  distingue  a 

imagem  da  coisa  real  é  tênue.  Povos  primitivos  consideravam  a  figura  e  seu  objeto 

como  o  mesmo  elemento,  apenas  se  manifestavam  de  formas  diversas,  mas 

compartilhavam  da mesma força de espírito. Talvez surgisse daí  a crença nas  imagens 

religiosas. 

A  máquina  fotográfica  desde  a  sua  invenção,  levou  adiante  a  ideia  da 

"captura", seja do real "tal como ele é", seja por meio de uma perspectiva. A verdade é 

que a prática fotográfica com isso, se torna uma reprodução automática da realidade, um 

aperfeiçoamento para o propósito de mímese tão cobiçado na história da arte e para os 

que acreditam  na  analogia perfeita. E como é um  recorte  "automático",  significa dizer 

que é dispensada a intervenção crítica do homem, como diria Bazin (1991). A foto seria 

um  resultado  natural,  sem  a  intencionalidade  ou  estilização  pessoal  do  operador.  E  é 

essa  ideologia  que  se  sobressai,  tendo  em  vista  que  a  pintura  levou  anos  para  adquirir 

sua legitimidade, enquanto a fotografia, desde sua criação até os dias de hoje, não sofre 

com críticas severas. 

 

 


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