1. – Introdução (Salão Nobre do Senado Federal)



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A Abolição – O Papel Desempenhado 

Pelo Parlamento Brasileiro De 1823 a 

1888. 


1. 

– Introdução (Salão Nobre do Senado 

Federal) 

Sejam muito  bem-vindos! Vocês estão  no 

Palácio do Congresso Nacional –  sede  do Poder 

Legislativo do Brasil. Meu nome é... e hoje nós 

vamos fazer uma visita um pouco diferenciada. 

Normalmente a visita ao Congresso Nacional é 

uma visita cujo objetivo é explicar, de forma 

mais geral,  a arquitetura do prédio, o 

funcionamento dos seus espaços e as obras de 

arte que aqui se encontram. Contudo,  hoje a 

visita será temática. Vamos conduzir um grupo 

de visitantes  pelo Congresso  Nacional  contando 

uma história. E que história seria essa? A história 

da abolição da escravidão dos negros no Brasil. 

Muito são os brasileiros que tem conhecimento a 

respeito deste assunto, mas poucos são aqueles 

que o compreendem a fundo.  

Bem, antes de começarmos nossa visita 

gostaríamos de dar algumas instruções inicias. A 

nossa visita possui um cunho historiográfico, 

nada que falamos aqui é da nossa opinião 

particular, mas é fruto de muito estudo e de 

fontes sérias. Não temos como objetivo propagar 

um ideal, mas sim esclarecer um período da 

nossa história que muita das vezes é esquecido 

ou mal interpretado. Não conhecemos tudo, nem 

somos donos de um saber absoluto. Aqueles que 

quiserem participar com perguntas  ou anedotas, 

fiquem a vontade, apenas pedimos para levantar 

a mão que no momento propicio lhe daremos a 

palavra.    

Finalmente  começando a nossa visita, estamos 

agora no Salão Nobre do Senado Federal. Este 

espaço é responsável por receber as autoridades 

que venham visitar a casa. Por isso optamos por 

começar a visita aqui. Vocês são hoje  os  nossos 

convidados de honra.E é aqui neste ambiente, 

que nos lembra o século XIX,  que gostaríamos 

de dar uma noção básica daquilo que iremos falar 

ao longo de toda a nossa visita. A primeira coisa 

que gostaríamos de acentuar é a inexistência das 

raças humanas no quesito biológico em 

contrapartida da sua existência no quesito social. 

Como nos explica Sandra Azeredo: “Os avanços 

da genética molecular e o seqüenciamento do 

genoma humano permitiram um exame 

detalhado da correlação entre a variação 

genômica 

humana, a ancestralidade 

biogeográfica e a aparência física das pessoas, e 

mostraram que os rótulos previamente usados 

para distinguir “raças” não têm significado 

biológico. Pode parecer 

fácil distinguir 

fenotipicamente um europeu de um africano ou 

de um asiático, mas tal facilidade desaparece 

completamente quando procuramos evidências 

dessas diferenças “raciais” no genoma das 

pessoas. Apesar disso, o conceito de “raças” 

persiste,  na  construção social e cultural, como 

forma de privilegiar culturas, línguas, crenças e 

diferenciar grupos com interesses econômicos 

diferentes.” 

Explicado isto, gostaríamos de começar citando 

“A Abolição” um livro de Osório Duque Estrada 

que nos diz: “o que caracteriza a campanha 



abolicionista no Brasil é exatamente o fato de ter 

sido ela transportada vitoriosamente das ruas 

para o parlamento, como uma imposição e uma 

conquista da imprensa e da tribuna popular.” 

libertação dos escravos foi uma luta que 

começou  nas senzalas, ganhou  autonomia nos 

quilombos e terreiros, posteriormente  ganha a 

imprensa, as ruas, se incorpora na campanha 

abolicionista e, por fim, chega ao poder 

pressionado  o parlamento a dar aval a suas 

conquistas. 

A  Princesa Isabel ao assinar a lei áurea 

reconheceu que a libertação dos negros no Brasil 

era algo inevitável.Ruy Barbosa, patrono do 

Senado Federal,  já dizia: “A abolição da 



escravidão, quer o governo queira, quer não, há 

de ser efetuado num futuro próximo. O poder 

cruza os braços? Pior para ele, a torrente o 

destruirá!”  A  visita hoje irá mostrar  o papel 

desempenhado pelo parlamento brasileiro de 

1823 a 1888 em escutar os incisivos pedidos das 

ruas por liberdade. 

Poucas foram às vezes em que o panorama social 

e político brasileiro estiveram  tão polarizados 

quanto na ocasião da abolição da escravatura e 

dos debates que a precederam. As divergências 

de opinião quanto à utilização de mão-de-obra 

escrava negra eram tamanhas que muitos – 

inclusive a própria coroa – temiam o advento de 

Fala dos mediadores. 

Elaborado em março de 2018 

 



 

uma guerra civil brasileira. Esse temor se 

justifica 

devido à violenta experiência 

estadunidense com a Guerra de Secessão. É 

evidente que o poder legislativo brasileiro não 

poderia manter-se neutro frente a questões de 

tamanha importância e urgência, mas os debates 

que ocuparam o parlamento foram igualmente 

polêmicos e polarizados. Para entender o 

processo abolicionista, dos aspectos da sociedade 

civil brasileira e da criação de leis abolicionistas, 

é necessário analisar de mais perto a história do 

Brasil e da escravidão. E é isto que a nossa visita 

de se propõe.  

Mas por que fazer esta visita? A  lei  Áurea 

completa, neste ano de 2018,  130 anos. Parece-

nos  algo tão distante  não?  O que todo este 

cenário tem a vê conosco e com o nosso dia-a-

dia? O historiador alemão Walter Benjamim traz 

uma resposta interessante a estas questões, ele 

diz  que foi dada a nós, como a cada geração 

precedente, uma débil força messiânica sobre o 

qual o passado reclama seus direitos. Ou seja, 

nenhum homem como ser social vive um 

presente puro, totalmente novo, vivemos o 

presente que os nossos pais construíram. Se 

vivemos em um país independente é porque 

nossos pais lutaram por isso, se vivemos numa 

democracia foi porque muitos não se calaram no 

passado, se hoje  já não existe a escravidão dos 

negro  devemos isto aquelas vozes do passado 

que gritaram por direitos iguais. 

Portanto se hoje vivemos as benesses que os 

nossos pais se sacrificaram para que vivêssemos, 

temos que entender que as mazelas empregadas 

por eles também perpassam a nossa sociedade e 

o nosso dia a dia. As dores da escravidão  não 

estão reclusas a um passado distante, mas fazem 

parte do nosso dia-a-dia, do nosso ser como 

integrantes  de uma comunidade, pois as suas 

consequências ainda são vividas por muitos no 

Brasil. Não estamos distantes da escravidão a 

desigualdade, o preconceito, a marginalização, a 

perseguição  e  a segregação  ainda são realidades 

vividas pelos descendentes dos 

escravizados.Lembrando Walter Benjamim, 

ainda  precisamos  curar as feridas deixadas pela 

escravidão, e é por isso que fazer essa visita é tão 

importante!  Desejamos que ao final você saia 

daqui mais consciente do que foi a escravidão, 

do papel  significativo das vozes da  rua, e de 

como  o  parlamento foi convencido  a atender 

essas vozes. 




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