07 História da Psicologia Estudos de Psicologia 1998, 3(2), 207-227 Reflexões sobre o estudo da História da Psicologia Lenita Gama Cambaúva



Baixar 120.38 Kb.
Pdf preview
Página2/12
Encontro06.01.2021
Tamanho120.38 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12
Palavras-chave:

História,

Psicologia,

Filosofia, Alma,

Consciência

Key-words:

History,


Psychology,

Philosophy,

Soul,

Conscience.




208

L. G. Cambaúva, L. C. da Silva e W. Ferreira

A

o ministrar disciplinas que versam sobre os fundamentos da



psicologia, temos tido a preocupação de fazer com que os

alunos reflitam sobre a ciência em que estão sendo forma-

dos. Julgamos que a reflexão deva ser feita com o objetivo de se

entender a produção histórica da ciência psicológica para, a partir daí,

entendermos a psicologia que estamos fazendo e que rumos ela vem

tomando. Temos, sobretudo, a preocupação de formar um profissio-

nal que possa contribuir com sua ciência de maneira ativa e crítica.

Nesse sentido, tem este artigo o objetivo de argumentar sobre a ne-

cessidade de se estudar a psicologia de uma perspectiva histórica, ou

seja, a partir do ponto de vista que apreende a ciência psicológica

como uma prática social e que entende serem os seus fundamentos,

históricos e filosóficos, intimamente ligados à própria forma de o ho-

mem viver e se expressar na sociedade.

Partindo dessa perspectiva, entendemos que a psicologia vai sen-

do construída à medida mesmo que os homens vão construindo a si e

a seu mundo. A preocupação do homem com as chamadas atividades

subjetivas é tão antiga quanto as primeira formas do pensamento

racional, ou seja, quando o homem pensa acerca do mundo, dos ou-

tros homens e de si mesmo, elabora idéias psicológicas, idéias que se

referem a processos individuais e subjetivos, como, por exemplo, as

percepções e as emoções.

O homem, sendo personagem principal desse processo de desen-

volvimento do pensamento, cria idéias, entre elas as idéias psicológi-

cas. Ele cria as ciências como forma de compreensão do mundo; entre

essas ciências cria a psicologia, tendo como objetivo o entendimento

do que hoje chamamos subjetividade, bem como a interpretação desta

A reflexão sobre o que é a Psicologia, de onde vem, para que e a quem

serve, é algo tão imprescindível para o psicólogo como o conteúdo de

suas teorias e o domínio de suas técnicas

 (ANTUNES, 1989, p.32-33).



209

História da Psicologia

na sua relação com o mundo e com outros homens. Isso significa que

a psicologia pode ser considerada uma ciência social, e seu objeto o

homem. Ao falarmos do desenvolvimento da psicologia, estamos, ao

mesmo tempo, nos referindo ao desenvolvimento, ao processo, à ela-

boração e à criação do pensamento humano. Ou seja, assumimos e

entendemos que o homem está em constante movimento. Como ana-

lisa Lane (1985),



 ele "fala, pensa, aprende e ensina, transforma a natu-

reza, o homem é cultura, é história" (p. 12).

Estudando a psicologia numa dimensão histórico-social, é possí-

vel entender a sua constituição em ciência e entender seus debates

atuais no interior mesmo das relações sociais desenvolvidas pelos

homens. Concebemos, como primeiro ponto a ser levado em conta,

que a psicologia não é uma criação mágica ou abstrata. Pelo contrário,

é uma criação humana e bem concreta: inicialmente, enquanto idéias

psicológicas imersas na filosofia; depois, enquanto disciplina científi-

ca, tendo, nos dois momentos, o objetivo de compreender as ações,

as atitudes, os comportamentos e tantos outros estados subjetivos

humanos que se revelam dinamicamente na relação dos homens entre

si no mundo em que vivem.

O segundo ponto a considerar é que a psicologia, por muito tem-

po, foi tema da filosofia. Muitos estudiosos consideram que ela se

emancipou da filosofia em meados do século XIX. Sendo assim, nos

parece que não podemos resgatar a história da psicologia sem enten-

dermos a filosofia como primeira forma de desenvolvimento do pensa-

mento humano racional, quando das primeiras indagações do homem

sobre o mundo.

E, ainda, um terceiro aspecto a se observar é que o aparecimento

da consciência humana é concomitante ao aparecimento do pensa-

mento racional, já que o homem de simples animal passa a ser humano,

social e histórico. Essa consciência que em primeira mão é a consciên-

cia de si, leva o homem a elaborar os primeiros conceitos sobre a

subjetividade humana, que nada mais são do que as próprias idéias

psicológicas, embriões da futura ciência psicológica.

Sobre esses três pontos é que desenvolvemos algumas reflexões

que têm nos ajudado a compreender e ensinar a história da psicologia.


1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal