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Metodologia

Apesar de um contingente cada vez maior

de mulheres brasileiras estarem  apresentando



Em Busca de uma Nova Identidade: o Grupo de Alcoólicos Anônimos

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Rev. Estudos de Psicologia, PUC-Campinas, v. 18, n. 3, pp. 05-21, setembro/ dezembro 2001

consumo abusivo de bebidas alcoólicas (Laranjeira

e Pinsky, 1997), conduzimos o estudo apenas com

homens, que são os principais freqüentadores do

AA, com presença maciçamente superior à das

mulheres, o que pudemos constatar diretamente

nos grupos cujas reuniões observamos.

Pareceu-nos importante incluir tanto indi-

víduos que freqüentam o AA rotineiramente,

como aqueles que não mais o freqüentam no

dia-a-dia, mas que pemanecem  identificando-se

como membros do grupo.

Como já foi dito, participaram da pesquisa

19 sujeitos do sexo masculino. Dez deles eram

membros de AA, freqüentadores de três grupos

distintos (funcionando em bairros e horários

diferentes) localizados em Vitória, ES. Esses 10

entrevistados, atendiam às exigências que defi-

nimos para selecionar os participantes, de reco-

nhecerem-se como membros do AA, serem

reconhecidos como tal pelos coordenadores de

grupo e estarem em abstinência há mais de dois

anos (Grupo de Estáveis).

Os outros 09 homens já haviam integrado o

AA por pelo menos um ano e não mais participa-

vam das atividades cotidianas dos grupos, embora

mantendo vínculos afetivos positivos com a insti-

tuição AA. Estes entrevistados também atendiam

à exigência de estarem em abstinência há mais de

dois anos (Grupo de Não-Estáveis).

O critério de dois anos de abstinência é

importante pois, depois de vários anos abusando

da bebida alcoólica (em tomo de 20 a 25 anos), o

alcoolista não internaliza de imediato o conjunto

de elementos associados à abstinência (alguns

param de beber só para que seu organismo se

recupere). Na fase inicial do processo, sua fala

ainda poderá estar associada ao tempo em que

bebia. Em verdade, excedendo as exigências

para participação, todos os 19 entrevistados

encontravam-se abstêmios há mais de 06 anos.

A escolha dos termos que designam os

grupos baseou-se na denominação empregada

por Galaif (1995), adaptada para o presente

estudo. Adotou-se a convenção “E” para desig-

nar sujeitos do grupo de Estáveis e “ñE” para a

identificação de sujeitos do grupo de Não-Estáveis.

A faixa etária no grupo de membros

estáveis variou de 37 a 54 anos (43,7 em

média), e, no grupo de não-estáveis, variou de

39 a 63 (50 em média). Em relação ao estado

civil, encontramos, no grupo de estáveis, 07

casados, 02 solteiros e O1 viúvo, enquanto no

grupo de não- estáveis todos são casados.

Originam-se da Grande Vitória (18) e de

Guarapari (1). No grupo de estáveis, o grau de

escolaridade assim se distribuiu: 1° grau com-

pleto (02), 2° grau completo (04) e 3° grau

completo (04). No grupo de não-estáveis

encontramos: sem escolaridade (01), 1° grau

completo (02), 2° grau completo (01), 3° grau

completo (02) e 3° grau  incompleto (03). Em

relação à natureza do vínculo profissional,

considerando ambos os grupos, 12 são autôno-

mos, 05 celetistas e 02 aposentados.

Os sujeitos participaram de entrevistas

de natureza semi-estruturada, baseadas em

roteiro que contemplava cinco blocos temá-

ticos:


1. opiniões acerca de si mesmo;

2.características próprias percebidas no tempo

em que bebia (ontem) e na condição atual de

abstêmio (hoje);

3. planos pessoais (hoje e amanhã);

4. opiniões acerca da bebida alcoólica;

5. opiniões acerca do grupo de AA. O roteiro de

entrevista foi testado em estudo piloto.

Todos os sujeitos, adicionalmente à

entrevista, responderam a um instrumento

complementar de coleta de dados, que se

encontra reproduzido em anexo. Trata-se de

adaptação da técnica do diferencial semântico,

e envolve 22 escalas gráficas de 7 intervalos,




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Rosiane Gonçalves de Oliveira e Paulo Rogério Meira Menandro

Rev. Estudos de Psicologia, PUC-Campinas, v. 18, n. 3, pp. 05-21, setembro/ dezembro 2001

cada uma delas ladeada por termos com signifi-

cados opostos, devendo o respondente assina-

lar, no continuum que as escalas propõem, qual

ponto lhe parece mais apropriado em cada caso.

É importante ressaltar que os termos com signi-

ficados opostos foram selecionados a partir de

expressões usadas por alcoolistas em pesquisa

anterior (Oliveira, 1995; Oliveira, Garcia,

Gomes e Macieira, 1996). Uma discussão espe-

cífica sobre tal instrumento pode ser encontrada

em Oliveira e Menandro (1999). Os partici-

pantes respondiam ao instrumento três vezes:

uma vez, tomando como referência “bebedor na

ativa”; de outra vez, “bebedor em abstinência”

e, a terceira vez, “bebedor social”.

Para análise dos dados, realizou-se o que

Queiroz (1991) denomina recorte e  recompo-

sição. A partir do recorte das falas, foram monta-

das estruturas para cada entrevista, recompondo

as falas a partir de categorias definidas pelos

pesquisadores, segundo a proposta que se segue:

Características do ingresso no AA - ra-

zões para o ingresso; o que lhes chamou atenção

em relação ao funcionamento cotidiano do AA.

Visão anterior: se já conheciam o AA e o

que pensavam a respeito do grupo.

Papel a cumprir: papel de cada um para

com o AA, como podem ajudar.

Associação AA e religião: relação

percebida entre o AA e religiosidade, como

vivenciam isso.

Noções-vigentes no AA - de alcoolismo,

de abstinência e de sobriedade.

Importância do AA: o que consideram

importante no AA; o que faz as pessoas perma-

necerem no grupo; fatores que dificultam a

permanência no grupo.

Causas do alcoolismo: entendimento que

tinham sobre alcoolismo e sua conceituação.

Conseqüências do alcoolismo: quais

prejuízos acarretados pela bebida são perce-

bidos e relatados pelos entrevistados.

Medidas para resolver o problema do

alcoolismo: que medidas entendem que

poderiam levar à diminuição dos problemas

decorrentes do consumo abusivo de bebida

alcoólica.

A questão do preconceito: percepção

deter sido alvo de preconceito; recebimento de

algum apelido desmoralizador ou preconcei-

tuoso relacionado à condição de alcoolista; o

que pensam a respeito de mulheres que bebem.

Relação do consumo de álcool com

drogas ilícitas: o que pensam os entrevistados

sobre a associação do abuso continuado de bebi-

das alcoólicas com o consumo de drogas ilícitas.

Justificativas para beber: o porquê de

eles beberem, bem como sua opinião a respeito

dos motivos que levam as pessoas a beberem.

Explicações dadas aos outros a respeito

de não estar bebendo: o que os entrevistados

diziam aos outros no início de sua abstinência;

como conseguiram parar de beber.

Observações de natureza conclusiva que

entendemos que podem ser feitas a partir do

conjunto de dados.

Antes de passar à descrição dos resulta-

dos, ressaltamos aqui que a palavra “alcoolista”

caracteriza a dependência de álcool como

entendida num sentido científico, aliviando as

alusões morais. No entanto, “alcoólatras” e

“alcoólicos” são as denominações geralmente

utilizadas em AA. Dessa forma, no decorrer do

texto que se segue, foram usadas, quando neces-

sárias, as três denominações.






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