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Key words: alcoholism, Alcoholics Anonymous, social identity. Introdução



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Key words: alcoholism, Alcoholics Anonymous, social identity.

Introdução

1

  Mestre em Psicologia pela UFES.



2

  Professor do Programa de Pós-Graduação da UFES.

   Endereço para correspondência: Rua Oto Ramos, 235 ap.303 - Tabuazeiro - Vitória, ES - CEP 29040-750

Os conceitos em alcoolismo passaram e

passam por várias interpretações. O conceito

de Síndrome de Dependência, proposto por

Edwards em 1976, é baseado em modelo

biaxial que envolve dois elementos fundamen-

tais para a identificação do alcoolista: a exis-

tência de problemas físicos e/ou familiares

e/ou sociais decorrentes da ingestão de bebida

alcoólica e a manifestação de sinais e

sintomas de dependência física e psíquica. A

partir desse modelo, os usuários de álcool

podem ser classificados como:

Bebedor social - indivíduos que não apre-

sentam quadro de dependência do álcool e não

têm qualquer tipo de complicação (física e/ou

psíquica) resultante de seu padrão de ingestão;



6

Rosiane Gonçalves de Oliveira e Paulo Rogério Meira Menandro

Rev. Estudos de Psicologia, PUC-Campinas, v. 18, n. 3, pp. 05-21, setembro/ dezembro 2001

Bebedor problema - indivíduos que

apresentam problemas e prejuízos em alguma

área da vida, em decorrência de seu padrão de

ingestão; contudo, não apresentam qualquer

sinal ou sintoma de dependência física e/ou

psíquica;

Alcoolista - indivíduos com padrão de

ingestão associado a problemas e prejuízos em

várias áreas da vida, e que, ainda, apresentam

algum grau de dependência física e/ou psíquica

do álcool.

Na trajetória de vida do alcoolista, prazer

e dor são vividos como conseqüências do seu

beber e a tentativa de “deixar a bebida” ocorre

por vários motivos. Em decorrência do uso

abusivo da substância por longos anos, a vida do

alcoolista fica afetada, com repercussões em

todas as áreas: saúde deteriorada, com sérias

complicações clínicas; prejuízos na interação

social com os amigos e os vizinhos; rupturas na

vida familiar e conjugal;perda de trabalho e difi-

culdades econômicas. A associação desses fato-

res ameaça sua identidade. Assim, ao buscar

ajuda,o alcoolista tenta “tomar novamente as ré-

deas de sua própria vida”, já que durante muitos

anos priorizou a bebida em detrimento de outras

coisas.


No intuito de reformular seu estilo de  vida,

o alcoolista busca ou é forçado a  buscar tratamen-

tos para “deixar de beber”. Assim, tenta diminuir a

quantidade de bebida ingeri da, recorre a clínicas

de tratamento de dependência química, institui-

ções religiosas, hospitais, instituições que traba-

lham com dependência química, ou aos grupos de

mútua ajuda, em especial o grupo identificado

como “Alcoólicos Anônimos” (AA).

Dos recursos disponíveis na sociedade, o

AA merece destaque, pois há  aproximadamente

60 anos se mantém com a finalidade de recuperar

alcoolistas. Admite-se que pessoas que buscam o

AA, e nele permanecem, encontram no grupo

algum tipo de ajuda que não foi conseguida em

outras instituições que lidam com a questão da

dependência. É importante estudar o tratamento

do alcoolismo, mais especificamente o dos AA,

pois estes desenvolveram uma metodologia

“leiga” que consegue resultados considerados

satisfatórios, na medida em que alguns alcoólicos,

com histórias de diversas tentativas infrutíferas de

abandonar a bebida, o fazem após aderirem às

atividades do AA (Peña-Alfaro, 1993).

O grupo de AA surgiu nos EUA, em

1935, fundado por dois alcoolistas, ambos

vivendo problemas variados em suas vidas, em

função do uso abusivo de álcool. A partir de

seus encontros, eles perceberam que a similari-

dade de suas experiências com álcool os fazia

identificarem-se um com o outro, e que a troca

de informações entre eles colaborava para a

abstinência de álcool, surgindo daí a idéia de

sistematizar encontros entre alcoolistas. No

Brasil o AA começou a funcionar em 1947, no

Rio de Janeiro. No Espírito Santo, o primeiro

grupo constituiu-se em 1972.

Partindo da constatação de que o objetivo

do AA é a reformulação do estilo de vida do

alcoolista, através da alteração da visão de

mundo e da aquisição de valores e conceitos que

permitam novas percepções sobre si próprio,

sobre o álcool e sobre a dependência, possibili-

tando assim a obtenção de outro tipo de prazer,

buscou-se, com o presente estudo, identificar o

conceito de alcoolismo adotado por um con-

junto de membros do AA e verificar como se

percebem na condição de membros desse

grupo. Outros termos, buscou-se identificar

os fatores que facilitaram a inserção e perma-

nência no grupo de AA, bem como a influência

que tal grupo exerceu sobre seus membros.






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